domingo, 12 de abril de 2020

Diário da quarentena - Dia 30 - Agradecimento ao desconhecido

Estou em Montes Claros, à pedido dos meus pais. Esse lugar me deprime horrores, não sei explicar. Seria inútil, não acredito que tenha alguma explicação. Mas uma coisa eu sei que tem grande peso: aqui eu não tenho liberdade para exercer meu grande vício: fumar. Fumar na casa dos meus pais é um grande malabarismo. Tanto é que dessa vez eu não trouxe um cigarro sequer, disse a mim mesma que não valia a pena todo o esforço e a culpa de fumar escondido: ficaria duas semanas sem. Meu Deus, que ingenuidade. No primeiro dia me contorci, o segundo dia foi difícil, no terceiro dia me senti maravilhosa e vitoriosa, ansiosa pela vida saudável que eu já conseguia vislumbrar. No quarta dia queria contar pra todo mundo, exibir minha conquista, algo em mim precisava muito de reconhecimento externo, porque, nesse quarto dia, eu estava deprimida e ansiosa com a abstinência. No quinto dia peguei cinco reais emprestados com meu pai, e surrupiei vinte e cinco centavos que estava dando mole em cima de uma estante e saí convencida de que compraria uma carteira de cigarro. Mas não se esqueça, estamos em quarentena. Não temos comércio funcionando normalmente. Andei por quinze minutos para encontrar uma mercearia safada. Chegando lá o safado do dono aumentou o preço da carteira. Esse mesmo cara se recusou a me dar um desconto de vinte e cinco centavos pra mim uma vez (em pleno Natal). Sabia que não adiantava pechinchar. O cara era zica. Sem esperanças de arranjar um real que faltava pela rua, peguei minha nota de cinco e pedi dois cigarros picados, o que dava um real, no total. Na minha cabeça era melhor comprar só dois, matar o que estava me matando, naquela hora, naquele momento, e no dia seguinte eu dava um jeito de pegar outros dois. O vício né. Acendi o primeiro e sentei no meio fio. Nessa hora eu descobri que nos últimos dias toda ansiedade e depressão não era por causa da pandemia, ou da saudade de casa, dos meus amigos, era falta de nicotina. Quando eu dei o primeiro trago, senhor, que paz. Nem queria saber se amanhã teria dois reais para completar a grana. Pensei, foda-se, agora tudo está em paz no meu mundo. Queria curtir essa sensação. De repente um desconhecido me interrompe. Cara, só quem leva o ato de fumar muito à sério entende essa sensação. É como você estar relaxando, cagando no seu banheiro e, de repente, alguém abrir a porta. A pessoa pede desculpa, sai, mas já era. Não dá pra voltar pro mesmo estado de relaxamento de antes. Enfim, se você fuma ocasionalmente, ou é um não-fumante, nunca vai entender. E ótimo, parabéns pra você. Enfim, esse cara chegou e eu já olhei querendo mandar tomar no cu. Mas o que ele disse soou como um canto angelical: tá faltando quanto pra completar o dinheiro da carteira? Porra... O cara viu meu desespero nos dias anteriores quando eu parava lá e ficava só olhando, morrendo de vontade de fumar um cigarrinho só. Provavelmente me viu nesse mesmo dia indo lá mais cedo quando o armazém ainda estava fechado. E depois eu saindo com apenas dois cigarros. É extremamente suspeito e creepy um desconhecido notar tantas coisas sobre você, sem que você perceba? Com certeza! Mas eu virei pra ele e respondi: dois reais. Ele tirou da carteira, me deu, eu agradeci, comprei uma carteira de minister e acendi outro cigarro. Na outra esquina. Salvou minha sexta-feira da paixão, meu sábado de aleluia e meu domingo de páscoa. Obrigada, desconhecido!
Stay away

sexta-feira, 24 de maio de 2019

São tantos registros sobre solidão, angústia, ansiedade
O que há de novo sobre tudo isso?
O que tem de especial na minha insignificante existência triste?
Meu poema é só um grito mudo para o nada
Mas não consigo evitar
Preciso anunciar minha vida fútil
Mesmo compreendendo a futilidade do meu relato
Qualquer um chora o que eu choro
A lucidez me convida a segurar o lápis
E agradeço minha vida descartável
minha solidão desimportante
e minha ansiedade desprezível
Sou feliz e desgraçada

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Será preciso muita coragem para o que eu vou fazer agora. Dizer para o nada e para o ninguém. Me arriscar à enorme decepção da pobreza do sentimento verbalizado. Terei que transformar o abstrato em concreto. Como eu posso dizer que o meu maior medo é exatamente em relação a dizer? Meus sentimentos não são médios, não sei o que é o neutro. Eu transbordo na minha autobiografia sem fatos. Essa é a minha confissão, e nela não há vida. Não sou o que os outros me veem ser, sou muito mais aquilo que em mim não é. Se não sou única por ser imperfeita, pois o imperfeito é tudo, sigo vivendo sem saber que tenho vida, alheia ao próprio destino. Vim livremente dizer o que fatalmente imagino que sou e assim corro o risco de encontrar a realidade.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

     Faz quatro horas que eu estou no hospital e resolvi escrever para me distrair. Vim pra cá mais vezes esse ano do que nos últimos cinco juntos. A última foi nesse mesmo mês quando acordei e de repente não tinha forças para ficar em pé. Cheguei no hospital de cadeira de rodas e tudo e fiquei um bocado preocupada. Tudo bem que nos quatro dias anteriores eu bebi e fumei como uma desgraçada. Eu não disse isso para o clínico geral que me atendeu, lógico. Disse que poderia ser por causa da doença crônica que eu tenho, e bem que era verdade. Fiz uma porção de exames, passei a tarde inteira na droga do hospital e no final saí só com uma receita de antibióticos para tratar uma infecção urinária. Provavelmente tudo que aconteceu decorreu das minhas noitadas. Justo. Saí andando do hospital e acendi um cigarro ainda na porta. Meu amigo e meu namorado que passaram a todo aquele tempo comigo ficaram revoltados. Meu namorado só voltou a falar comigo horas depois. Levei o maior gelo mesmo. Não vou mentir, me senti mal pra caralho de fazer aquilo. Mas naquela hora eu precisava mesmo. Só quem é muito viciado em nicotina seria capaz de entender. Hoje faz três semanas que eu parei de fumar. E vim para no hospital por causa de uma terrível dor no peito. Irônico, não? Mas aqui vou confessar uma coisa. Sou uma puta mentirosa. Disse para todos os conhecidos e familiares que parei de fumar e fumei escondida nas últimas três semanas. Não. Nas últimas duas semanas. Eu também não sou tão cretina assim. Na primeira semana eu realmente acreditei que conseguiria, e estava feliz com o progresso. Mas um dia acordei me sentindo miserável e tive uma recaída. Não consegui parar de novo depois disso. O lado bom é que fumar escondido me fez fumar muito menos que o habitual. O lado ruim é a sensação de estar enganando todo mundo, o que só aumenta a ansiedade e a vontade de estar sozinha novamente para fumar mais um cigarro. 
     Mas como eu estava dizendo, hoje senti uma dor infernal no peito. Eu moro sozinha e minha família mora longe, então não teve jeito, vim sozinha pra essa droga. Se as pessoas da recepção soubessem o peso do desamparo quando me perguntam se eu preciso de etiqueta de acompanhante e eu tenho que dizer que não! Devo ter feito uma cara de mulher sozinha ou foi só por causa da visível dor e dificuldade de respirar, só sei que fui direto pra triagem. Uma cabine minúscula e ridícula onde medem seus sinais vitais só pra ver se você está morrendo ou pode esperar com os outros miseráveis no purgatório. Assim que eu sentei me pus a chorar como uma louca. Eu estava segurando esse choro. Meu peito doía muito, mas o choro foi uma mistura de medo, culpa e solidão. Não tive vergonha, na verdade, queria mesmo que aquela enfermeira de sorriso falso e olhar condescendente me desse um abraço. Um abraço que minha mãe me daria se estivesse por perto. Pensando melhor, não queria não. Me recompus para entrar na sala de tortura, digo, sala de espera. Eu posso dizer que como paciente conheço uma porção de alas do hospital. Tudo começa na recepção, depois triagem, consultório. Aí depois você toma um soro, ou uma medicação, faz uns exames, depois espera uma eternidade para pegar os resultados, volta no consultório e se tudo der certo você pode voltar pra casa. Mas o pior mesmo são as salas de espera. Geralmente os exames demoram muito para ficarem prontos, mas pelo menos nessa fase você já está medicado. Mas a sala de espera antes da primeira visita ao consultório é um troço ridículo. Crianças, adultos, idosos, tudo junto, amontoado. É tenebroso. O pior não é nem a cara de sofrimento de quem está passando mal e sim os cretinos que não calam a boca e não param de rir. Estão sempre mexendo no celular e comendo alguma coisa, parece que estão na porra de um shopping. Ah, mas cada um lida com o estresse de uma forma diferente. É o caralho. Já infartou no shopping? Eu também não, mas deve ser uma sensação parecida. Eu odeio shopping, tudo no shopping. O ambiente, as lojas, as pessoas. Agora experimenta misturar isso com outro lugar odiável que é o hospital. É de tirar qualquer um do sério. Especialmente nessa ocasião a dor estava de matar. Literalmente. Eu pensei que teria um troço e morreria. Bem ali naquela maldita sala de espera. Até que seria interessante esfregar um pouco de realidade na cara daquelas pessoas. Mas pensando bem eu odiaria que aqueles imbecis ficassem ali olhando meu corpo no chão. Minha cara seria a mais imbecil de todas. Se alguém me cobrisse com um pano assim que eu caísse dura seria melhor. Eu poderia traumatizar algumas crianças mimadas e ninguém ficaria olhando minha cara de imbecil. Enfim, tenho certeza que ninguém faria isso por mim, pelo menos não tão rápido quanto eu gostaria. Então que bom que eu não morri ali.
     Difícil descrever a cara tão comum do médico que me atendeu. Era muito, muito comum mesmo. Mesmo agora não consigo lembrar. Eu estava tentando segurar o choro enquanto explicava o que tinha acontecido, eu estava sensível pra caralho. A postura dele era tão apática e sem personalidade quanto a cara dele. Pediu para eu respirar fundo, deu uma batidinha na minha barriga. Tudo ok. Mas aí o filho da puta viu que eu estava na boa demais e bateu bem onde eu já havia falado que estava doendo. Eu quase alcancei o teto com o pulo que eu deu. Tudo pra confirmar que realmente doía o lugar que eu disse que estava doendo. Pediu exame de sangue, urina e tomografia. A palavra "tomografia" ficou reverberando na minha cabeça. Eu nunca tinha feito e a única coisa que eu sabia sobre esse exame é que meu pai não conseguiu fazer. Meu pai é um homem forte de quase um metro e noventa e o tenho na mais alta estima de determinação. Achei que não ia conseguir também. Mas segui firme. Até que me deu uma puta vontade de tossir e senti tanta dor e soltei um gemido e comecei a chorar. O médico-cara-comum olhou pra mim e disse que poderia ser uma pneumonia ou até um coágulo no pulmão, faria sentido por causa dos outros problemas de saúde que eu tenho. Faria sentido também os dois anos de fumante inveterada, mas novamente eu omiti essa informação. Perguntei pra ele se umas sete da noite eu estaria liberada porque tinha que trabalhar. Ele me olhou como se eu estivesse drogada falando algum absurdo. Depois da pausa dramática disse que eu já podia avisar que não trabalharia nesse dias e nem nos próximos. Inocência a dele de achar que pra mim tudo seria resolvido com um atestado. Eu dou aula particular de desenho e não importa se estou morrendo ou com um atestado assinado pelo próprio Jesus Cristo. Se eu faltar preciso ser substituída e pagar por essas horas para o professor. Eu vou perder um total de três aulas, onze alunos. É melhor nem fazer as contas agora. Eu sei que não vou ter dinheiro mesmo. Afinal mandei mensagem pra minha chefe e expliquei que estava no hospital e não sabia que horas eu ia sair, de qualquer forma não poderia dar aula. Ela mandou um "entendi" e disse que outro professor me substituiria Isso me chateou pra caramba. Nem um "melhoras", nem um "mas ta tudo bem?". É o tipo de coisa que uma pessoa pergunta mesmo sabendo que a resposta é não. Acabou que ela foi a primeira pessoa a saber que eu estava no hospital. Engraçado porque ela talvez seja a pessoa que menos se importa. Atualmente eu sou a professora com mais alunos no ateliê, mas como ficou bem claro, posso ser facilmente substituída. Valeu.
     Acho que vou simplesmente pular a parte dos exames e resultados. A única coisa que aconteceu foi que a dor diminuiu consideravelmente (o que, pensando bem, foi uma grade coisa) e depois esperei por umas três horas sair os resultados. Interessante mesmo foi fazer a tomografia! Isso é digno de nota. É um aparelho gigante em formato de portal de outra dimensão. Eu achei bem engraçado. Aí a enfermeira veio aplicar o contraste - eles sempre perguntam sobre alergia, mas como vou saber? - aí ela me explicou que eu sentiria um calor no corpo e ia parecer que urinei na roupa, mas só ia parecer mesmo. Eu ri e perguntei, só pra confirmar, se podia acontecer mesmo de eu me mijar durante o exame. Ela disse que não de novo. Ela não estava rindo, talvez não fosse algo engraçado mesmo. Mas quando a gente não tem muitas opções acaba se apegando a cada mesquinharia, é impressionante. O troço parecia mesmo com um portal. Meu pai ficou com medo disso? Eu na verdade estava até curiosa de ver aquilo funcionando e sentir a tal sensação de mijar na roupa. Deitei na maca e o negócio começou a girar, era muito maneiro. A maca ia pra frente e pra trás e uns desenhos toscos na altura do olhar indicavam quando era permitido respirar (rs). Aí o troço começou a girar muito rápido, tipo uma centrífuga e aí o corpo começou a esquentar, como que de dentro pra fora e enfim me mijei inteira. Mentira. Mas as enfermeira estava certa, a sensação era iguale eu até peguei na minha calcinha pra ver se não estava molhada. Não estava e aí eu ri de novo, porque ainda estava achando aquilo bem engraçado. Depois não achei tanta graça quando os resultados desse exame saíram horas depois. A enfermeira tinha dito até uma hora. E como ela estava certa sobre o negócio do xixi, tão mais improvável, acreditei nela. Eu aporrinhei um bocado a mulher do balcão dos resultados. Acho uma sacanagem fazer isso no hospital, fico imaginando o tanto de gente que deve encher o saco dela o dia inteiro. Mas eram quase oito horas da noite, eu estava com fome, cansada e afinal super ansiosa pra saber o que eu tinha. Juro que se tivesse como eu acenderia um cigarro ali mesmo. Acabar de morrer logo, sem todo esse suspense. Estúpido pensar assim, mas juro que não conseguia pensar em outra coisa. Enquanto isso eu brincava de morder minha boca pra me distrair. Brincadeira nada. Um hábito terrível de uma pessoa terrivelmente ansiosa e impaciente. Esse tique ficou dez vezes pior depois que parei de fumar. Dessa vez caprichei, abri uns bons três buracos no meu lábio inferior. Se eu conseguisse fumar daria um jeito de fumar e morder a boca ao mesmo tempo de tão doida que eu sou. Eu consigo ser um bocado nervosa. Acabou que a mulher se encheu e me levou de volta aos consultórios. Não sei se por insistência ou porque era grave mesmo. Eu reparei que a minha era a única pasta amarela no meio de um monte de pastas verdes e a minha foi chamada antes da de todo mundo. Que sorte a minha, não?
     Infelizmente o doutor-cara-comum já tinha ido embora. Eu senti saudades dele. A médica que estava lá era a pior. Eu vou economizar nas palavras porque nem vale a pena. Só digo que ela ficou uns bons minutos só olhando a tela do computador e disse, sem cerimônia, que eu tinha uma embolia pulmonar e  teria que ser internada imediatamente na UTI. Que filha da puta. Eu fiquei assustada, abaixei a cabeça e comecei a chorar. Ela só continuou mexendo na droga do computador. Em nenhum momento ela tentou me tranquilizar, não falou que ia ficar tudo bem, não tocou na minha mão, nada. É sério, ela nem sequer me olhou. O que ela fez foi se levantar e fazer qualquer coisa muito importante do lado de fora da sala. Desabei por três segundos na cadeira e engoli o choro quando ela voltou, era a força do ódio. Ela continuou mexendo no cacete do computador e como ela estava me dando um gelo mesmo, eu resolvi que era tempo de avisar às pessoas o que estava acontecendo. Primeiro avisei minha irmã, a única representante da família ainda na cidade. Depois avisei meu namorado, esse foi foda, porque pra ele eu menti. Conversei durante a tarde inteira com ele como se estivesse tudo bem. Disse que passei a tarde estudando e que depois daria aula. Seria verdade se não fosse mentira. Ficou preocupado e rápido ele e minha irmã estavam à caminho. É uma sensação boa saber que não estou desamparada.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"Nunca podemos recuperar totalmente o que foi esquecido. E talvez seja bom assim. O choque do resgate do passado seria tão destrutivo que, no exato momento, forçosamente deixaríamos de compreender nossa saudade. Mas é por isso que compreendemos, e tanto melhor, quanto mais profundamente jaz em nós o esquecido[...] assim o esquecido nos parece pesado por causa de toda a vida vivida que nos reserva. Talvez o que o faça tão carregado e prenhe não seja outra coisa que o vestígio dos hábitos perdidos, nos quais já não nos poderíamos mais encontrar. Talvez seja a mistura com a poeira de nossas moradas demolidas o segredo que o faz sobreviver." - W. Benjamin em Rua de Mão Única

domingo, 2 de outubro de 2016

Vivo em uma resignada mediocridade, acreditando que esteja destinada a realizações especiais. Um dia. Dói pensar que isso talvez seja mais uma ilusão conveniente para fugir do meu futuro de normalidade. Isso realmente perturba meus dias e tira meu sono. Eu que não acredito em nada, estou desamparada. Se a vida agora não faz sentido, pra mim, tem porquê dar continuidade a ela? 

domingo, 11 de setembro de 2016

(A personagem bola um cigarro com tabaco orgânico com excelente habilidade). Hoje me deparo com aquela cama vazia e entendo perfeitamente que o vazio está dentro de mim. Na verdade sempre esteve, mas eu nunca fui capaz de perceber. Achei que a morte da minha mãe seria minha libertação. Lembro de muitas vezes desejar isso secretamente. Não, não tenho vergonha de admitir isso agora. Apenas quem viveu a vida inteira dentro de casa cuidando de uma pessoa doente poderia entender o meu fardo. Não que tenha sido sempre ruim. Ficar dentro de casa todo esse tempo fez com que eu desenvolvesse algumas habilidades. Sem conhecer o mundo exterior eu tive a chance e criar um mundo totalmente fantástico, que vai ficar para sempre registrado nos meus desenhos. (Fala baixo, quase para ela mesma, porém audível) Que droga mãe, agora não consigo mais desenhar merda nenhuma! (O cigarro fica pronto e ansiosamente ela o leva a boca e dá uma tragada profunda, percebe-se sua frustração). O mundo real é uma grande merda. Pelo menos posso acender meu cigarro quando eu quiser. Vocês não sabem o que é fumar dentro de um banheiro durante 50 anos. Estou viva, não posso me dar ao luxo de ser infeliz.


 

Blog Template by BloggerCandy.com - Background Image by TotallySevere.com