(A personagem bola um cigarro com tabaco orgânico com excelente habilidade). Hoje me deparo com aquela cama vazia e entendo perfeitamente que o vazio está dentro de mim. Na verdade sempre esteve, mas eu nunca fui capaz de perceber. Achei que a morte da minha mãe seria minha libertação. Lembro de muitas vezes desejar isso secretamente. Não, não tenho vergonha de admitir isso agora. Apenas quem viveu a vida inteira dentro de casa cuidando de uma pessoa doente poderia entender o meu fardo. Não que tenha sido sempre ruim. Ficar dentro de casa todo esse tempo fez com que eu desenvolvesse algumas habilidades. Sem conhecer o mundo exterior eu tive a chance e criar um mundo totalmente fantástico, que vai ficar para sempre registrado nos meus desenhos. (Fala baixo, quase para ela mesma, porém audível) Que droga mãe, agora não consigo mais desenhar merda nenhuma! (O cigarro fica pronto e ansiosamente ela o leva a boca e dá uma tragada profunda, percebe-se sua frustração). O mundo real é uma grande merda. Pelo menos posso acender meu cigarro quando eu quiser. Vocês não sabem o que é fumar dentro de um banheiro durante 50 anos. Estou viva, não posso me dar ao luxo de ser infeliz.
domingo, 11 de setembro de 2016
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