Meu amigo tem histórias incríveis. Sua bisavó apaixonou-se pelo seu primo, que estava com um quadro grave de tuberculose, mas foi proibida pelos seus pais de unir-se a ele, pois estava prometida a outro. Ela reivindicou a posse do seu dote, que na época, era apenas entregue para o marido, após o casamento. De algum jeito ela conseguiu pegar esse dinheiro, fugiu de casa, comprou um vestido de noiva e organizou seu próprio casamento. Levaram seu noivo em cima de uma cama para que pudessem casar-se na capela. Com o restante do dote, comprou a capela e viveu com ele (lá dentro) os próximos anos, a fim de curar-lhe. E deu certo. Saindo de um quadro -dito- irreversível de tuberculose, seu bisavô recuperou-se completamente. Viajaram de barco para o Pará e já tiveram seus primeiros filhos lá dentro. Ao longo da vida moraram em vários lugares, tiveram mais filhos. Moraram embaixo de um cajueiro. Ela dizia que era o cajueiro mais limpo da cidade, que era só uma folha cair que ela recolhia. Tornaram-se comerciantes de farinha e estabeleceram condições melhores de vida. Voltaram juntos para sua cidade natal, de onde tinham fugido, e tornaram-se agiotas. Compraram cabeças de gado, fizeram plantação e criaram muito bem seus 15 filhos. Seu bisavô morreu com 99 anos. E a sua avó faleceu logo depois, de tristeza.